domingo, setembro 30, 2007
sábado, setembro 29, 2007
sexta-feira, setembro 28, 2007
Vanessa da Mata
quinta-feira, setembro 27, 2007
eu nunca mataria ninguém...muito menos voce. Vai dar um trabalho enorme pra fazerem outra igual.
beijo,
L.
Genteee, que e-mail é esse ??
quarta-feira, setembro 26, 2007
terça-feira, setembro 25, 2007
Sem esperança
Estudantes de jornalismo, em Curitiba, aproveitando a pausa de uma palestra para os vestibulandos do curso Decisivo, me perguntam se há lugar para a esperança. Com Domingos Pellegrini e Miguel Sanches Neto, falávamos sobre os livros que irão cair no vestibular. O tema era exclusivamente literário, mas acima de todos nós estava aquela "nuvem que os ares escurece" -tal como disse Camões no começo do episódio do Adamastor.
Na realidade, por mais redundante que seja, não há como evitar a situação nacional. Não se trata de um arroubo moralista, muito menos de um prejuízo material que coloque a nação em véspera de uma quebradeira econômica e financeira.
Embora distante de uma tranqüilidade nesses setores, o país atravessa um período relativamente estável. Não é por aí que o desânimo, e até mesmo a revolta, nos abate o ânimo e nos coloca numa das fossas mais prolongadas de nossa história.
Deus poupou-me o sentimento da esperança, de maneira que não precisei pensar muito para responder aos jovens. E, como Deus nunca tarda e quase sempre falha, no dia seguinte, li a declaração de Lula, afirmando que não há prova que justifique a cassação de seu homem forte, seu ex-chefe do Gabinete Civil, José Dirceu.
O mesmo Lula acha que não há provas contra o Renan Calheiros e conclamou a nação a respeitar a decisão do Senado que absolveu o presidente daquela Casa, na base do "causa finita".
No caso de Dirceu, condenado, Lula discorda da decisão que o cassou. Declarava que não sabia de nada, mas "sabe" que ele é inocente. No caso de Renan, diz que não há o que discutir sobre a decisão da maioria do Senado. Por essas e por outras, não há espaço para a virtude que nos dá o dom de suportar o mundo.
Carlos Heitor Cony, FSP de hoje
Ainda não cheguei onde o Cony já está. Graças.
domingo, setembro 23, 2007
sábado, setembro 22, 2007
"Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa, coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas, viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre"
Fiquei ali, parada, pensando...
sexta-feira, setembro 21, 2007
quinta-feira, setembro 20, 2007
"(...)
É fácil entender qual é o prazer encontrado num exercício estético generalizado: é o prazer de se expressar singularmente e de compor, para si mesmo e para os outros, uma imagem agradável.
Mais complicado é entender como essa atividade estética incessante nos ajudaria a encontrar um pouco de sentido para nossa vida.
Pois bem, se alguém me perguntasse, hoje, quais são, ao meu ver, os textos filosóficos decisivos para entender o espírito moderno, eu incluiria entre os cinco primeiros, sem hesitar, a "Crítica da Faculdade do Juízo", de Kant (Forense Universitária). O livro, escrito no fim do século 18, não é uma leitura fácil. Quando o li, nos anos 70, foi por dever. Hoje, no retrospecto, considerando a extraordinária relevância da escolha estética na vida moderna das últimas décadas, ele me parece profético e genial.
Resumindo além do máximo, uma das idéias centrais de Kant é a seguinte: apreciamos o belo porque é o exemplo de algo que se justifica em si, ou seja, que tem um fim e uma razão de ser, mas esse fim não é uma idéia ou uma representação externa, ele está na coisa mesma que achamos bela. A beleza, por assim dizer, é o charme das coisas, dos seres e dos momentos que não precisam de uma justificação outra que sua beleza.
Por exemplo, uma cena qualquer da vida, contemplada da mesa de um bar, levanta questões: o que quer aquela mulher? Para onde está indo aquele cara? Qual será o futuro do cachorro que passa por aí?
Numa "bela" fotografia da mesma cena, a questão da finalidade da vida da mulher, do cara e do cachorro é resolvida pela finalidade interna da imagem, por sua "beleza".
Ora, em nossa cultura, a tradição perdeu valorm, e o plano divino é, no mínimo, incerto: as representações e idéias que davam sentido à vida são cada vez mais problemáticas. Talvez nossa paixão cotidiana pelo "look" e pelo design tente, laboriosamente, construir um mundo que se justifique por sua qualidade estética, ou seja, por si só."
Contardo para a FSP alguns dias atrás
terça-feira, setembro 18, 2007
segunda-feira, setembro 17, 2007
domingo, setembro 16, 2007
"O Ensaio Sobre a Cegueira foi publicado no Brasil em 97 ou 98. Li o livro quase numa sentada e por uma semana aquelas imagens e a idéia de que tudo está por um triz me fizeram companhia. Naquele ano, minha vida andava estável demais, então pensei que filmar tal história seria o antídoto perfeito contra a incômoda sensação de segurança que eu sentia.
Num impulso, sem ter a mínima idéia de como adaptaria aquele romance, liguei para o Luis Schwarcz, o editor brasileiro do José Saramago, e pedi que ele consultasse o autor sobre seu interesse em vender os direitos para uma adaptação cinematográfica. A resposta veio rápida: nenhum interesse. Absorvi o tranco, comprei os direitos de Cidade de Deus do mesmo editor e esqueci o assunto.
Sobre as bruxas: como 2005 havia sido um dos piores anos da minha vida, decidi fazer de 2006 o meu período sabático: não assumiria nenhum compromisso. E foi assim por cinco meses. Em junho recebi um e-mail de um produtor canadense, que eu não conhecia, me perguntando se eu já havia lido José Saramago e se teria interesse em uma adaptação de um dos seus romances. Para ser simpático respondi: manda. Três dias depois, chegou em um envelope com um roteiro em inglês. Era Blindness, o Ensaio Sobre a Cegueira.
Devem existir milhares de diretores no mundo. O que fez com que aquele texto viesse cair justamente em minhas mãos? Essas coincidências são assustadoras. Talvez mais impressionado pela magia da coincidência do que motivado pela possibilidade de mergulhar naquele universo tão negro, dei um sinal verde: disse ao produtor Niv Fichman que havia gostado da adaptação, o que bastou para que mais três dias depois ele e o roteirista Don McKellar estivessem almoçando comigo em São Paulo.
Nunca fui um bom surfista, mas ondas do entusiasmo sempre me levam de arrasto, e eles estavam muito animados. Não consegui evitar. Dois meses e meio após esse encontro, lá estava eu no Festival de Toronto anunciando oficialmente o projeto.
(...)
E o melhor: os parceiros seriam os de sempre, quase a mesma genial equipe que fez Cidade de Deus. César Charlone na fotografia, Daniel Rezende na montagem, Tule Peak na direção de arte, Gui Ayrosa no som direto com Alessandro La Roca na finalização e Ana Van Steen na maquiagem. A estes se somariam alguns canadenses que eu ainda não conhecia na época. Com essa turma me apoiando na criação, mas sem saber muito como seria o filme, embarquei na viagem. A experiência me ensinou a deixar antes o vento bater para então decidir o rumo a seguir. Esta é uma das vantagens da maturidade, aprende-se a confiar na intuição.
Em outubro de 2006 resolvi adiar a comédia que pensava em rodar antes e atacar esta Cegueira que já estava mais palpável. Marcamos as filmagens para início de julho de 2007 e saímos correndo para colocar o projeto em pé. O ano sabático durou apenas um semestre e eu me vi novamente no meio de um furacão.
Parece uma sina."
Fernando Meirelles, agosto de 2007
* Dica da Suzana
sábado, setembro 15, 2007
I feel fine and I feel good
Im feeling like I never should
Whenever I get this way
I just dont know what to say
sexta-feira, setembro 14, 2007
quinta-feira, setembro 13, 2007
quarta-feira, setembro 12, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
segunda-feira, setembro 10, 2007
"A mesa rodava, as luzes insistiam, os barulhos iam cessando como um prêmio e as pessoas tentavam me aquecer. Eu sabia que estava sendo amada, talvez como nunca em toda a minha vida. Mas só tinha olhos para os pêlos do seu braço. Eu olhava como quem não olha e me dizia baixinho: olha eles lá, olha lá os pêlos que eu tanto amo sem mais e sem fim. Matei finalmente a saudade do seu dedão. Seu dedão meio largo, meio torto, com a unha que preenche todo o dedão. Eu amo o seu dedão, amo sua unha meio roxa, amo a semi circunferência branca que sai da sua cutícula e vai até o meio da sua unha, amo a sua mão delicada que sai de um braço firme. Amo que os pêlos da sua mão parecem meio penteados de lado. É isso, sei lá, mas acho que amo você. Amo de todas as maneiras possíveis. Sem pressa, como se só saber que você existe já me bastasse. Sem peito, como se só existisse você no mundo e eu pudesse morrer sem o seu ar. Sem idade, porque a mesma vontade que eu tenho de te comer no banheiro eu tenho de passear de mãos dadas com você empurrando nossos bisnetos. E por fim te amo até sem amor, como se isso tudo fosse tão grande, tão grande, tão absurdo, que quase não é. Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano. Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai de santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você. Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente. Eu acredito que ainda vou voltar a pisar naqueles cocôs da sua rua, naquelas pocinhas da sua rua, naquelas florzinhas amarelas da sua rua, naquele cheiro de família bacana e limpinha da sua rua. Como eu queria dobrar aquela esquininha com você, de mãos dadas com os pêlos penteados de lado da sua mão. Outro dia me peguei pensando que entre dobrar aquela esquininha da sua rua e ganhar na mega sena acumulada, eu preferia a esquininha. A esquininha que você dobrou quando saiu da casa dos seus pais, a esquininha que você dobrou chorando porque é mesmo o cúmulo alguém não te amar. A esquininha que você dobrou a vida inteira, indo para a faculdade, para a casa dos seus amigos, para a praia. Eu amo a sua esquininha, eu amo a sua vida e eu amo tudo o que é seu. Amo você, mesmo sem você me amar. Amo seus rompantes em me devorar com os olhos e amo o nada que sempre vem depois disso. Amo seu nada, apenas porque o seu nada também é seu. Amo tanto, tanto, tanto, que te deixo em paz. Deixo você se virando sozinho, se dobrando sozinho. Virando e dobrando a sua esquininha. Afinal, por ela você também passou quando não me quis mais, quando não quis mais a minha mão pequena querendo ser embalsamada eternamente ao seu lado."
Tati Bernardi
domingo, setembro 09, 2007
quinta-feira, setembro 06, 2007
DENTRO DA CRATERA de um vulcão extinto há 500 milhões de anos, no alto de uma montanha de Minas de onde se vê muito longe, eu planto árvores para meus amigos mortos e para meus amigos que vão morrer.
Para o meu amigo Ladon Sheats plantei uma árvore que se chama "liquidambar". A pequena muda cresceu muito e hoje é uma árvore com mais de seis metros de altura.
O estranho nessa amizade é que nós nunca nos vimos. Ouvi sua voz uma vez apenas, ao telefone. Eu estava nos EUA e o chamei de um telefone público. Conversamos. Eu, livre para voar e para ir para aonde eu quisesse. Ele, pássaro engaiolado cumprindo pena numa prisão.
Amigos não se fazem. Amigos são descobertos. Como aconteceu com minha amizade com o monsenhor Luna, do Equador. Ao vê-lo pela primeira vez, tive a impressão de estar diante do Pequeno Príncipe. Tinha uma cara de criança e cabelos encaracolados. Mas bastou que estivéssemos juntos por poucos minutos para que percebêssemos que já nos conhecíamos há muitos anos sem nunca termos nos encontrado.
Depois, a amizade com o Guido Ivan de Carvalho, contratado como procurador pela direção da Unicamp como arma contra a oposição. Eu era da oposição. A despeito disso a amizade aconteceu. Era mais moço do que eu. Mas o câncer não leva em conta a idade. A presença da morte mudou o tom das conversas. Quis saber como fora a sua juventude.
"Guido, onde foi que você passou sua adolescência?"
"No Rio", ele respondeu.
Eu também passara minha adolescência no Rio...
Continuei: "Em que bairro?"
"Botafogo."
Eu também morara em Botafogo.
"Em que rua?"
"Rua da Passagem", ele disse.
Eu também morara naquela rua.
E então, a última pergunta:
"Qual era o número da sua casa?"
"34."
Eu morara no 35...
Essa coincidência é praticamente impossível de acontecer a menos que os deuses amarrem os amigos com fios do lado do avesso da vida. Plantei para o Guido um ipê branco. Já floresceu várias vezes.
Agosto de 1976. Chega-me dos EUA um bilhete numa folha de bloco cortada ao meio: "Caro Rubem Alves: seus pensamentos no livro "Tomorrow's Child" têm tido uma profunda influência sobre a minha vida. A sua capacidade de sintetizar... A clareza com que você se exprime são dons muito bonitos. Por isso sou-lhe muito agradecido. Afetuosamente, Ladon Sheats". O signatário não dizia quem era. Fiquei com o bilhete na mão, sem saber o que pensar. Dias depois recebi carta de um amigo com as explicações.
"Esse bilhete foi escrito de uma prisão em Alexandria. Ladon Sheats está cumprindo uma sentença por haver participado de uma demonstração contra as armas nucleares acontecida no Pentágono."
Pondo em ordem minhas velharias, aquele bilhete voltou-me às mãos. Gesto de amizade de um homem encarcerado. Encarcerado porque fora fiel à sua consciência. Minhas mãos tocaram aquele bilhete como se fosse uma coisa sagrada. O prisioneiro me escrevia só para dizer "obrigado" por um livro que eu escrevera. Mas ao escrevê-lo jamais poderia imaginar que ele, o livro, iria para a prisão. Ele, o prisioneiro, havia levado a sério o que eu escrevera, mais do que eu mesmo. Mas quem era esse homem? Depois eu conto...
Rubem Alves, Folha de São Paulo, 04 de setembro de 2007.


