sexta-feira, dezembro 31, 2004
Chove nas últimas horas do ano. Que a chuva leve consigo o medo. Nesse ano que chega, que perdamos o medo. Medo de novas situações, novos amores, novas amizades, novas viagens. Minha maior resolução de fim de ano é perder o medo. Quero enfrentar tudo em 2005 sem intimidações. E que possamos todos perder os medos, as encanações, os preconceitos. Peça para ter forças de derrubar barreiras, unir pessoas desunidas ou simplesmente desconhecidas. Peça para pensar o até então impensado, falar aquilo que alguém jamais havia ouvido antes. Tirar aquela foto que ninguém havia enquadrado antes. Peça para que seja senão o único, então o primeiro. Faça mesmo que ninguém o faça junto. Paremos de fazer só porque os outros fazem e só o que os outros fazem. Que possamos, sinceramente, viajar mais, beijar mais, fotografar mais, admirar mais, amar mais. 2005 promete pra nós. Até o ano que vem...até amanhã!
quinta-feira, dezembro 30, 2004
One art
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Elizabeth Bishop
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Elizabeth Bishop
Olha, dezembro foi um mês difícil. Chegava todo dia em casa podre, exaurida, sem energia pra nada. Não entendia aquilo, como eu podia ficar tão cansada. Teve dias que até deixei o banho pra "amanhã de manhã" porque até a chuveirada forte, longa e morna (a minha de sempre) me parecia cansativa. Pegava DVD e quando o menu carregava eu já tava cochilando. Amontoei DVDs emprestados (todos interessantíssimos) em cima do aparelho de DVD. Até hoje não vi nenhum. Mas o estranho é que muitas vezes eu me jogava na cama, estralava o corpo inteiro, as pernas doíam de cansaço...mas o sono mesmo não vinha. Eu ficava lá vegetando em frente à TV e embaixo dos lençóis mas o sonão mesmo, aquele, não me apagava. Porque eu não estava tão exausta como achava. Sempre durmo bem. Era um cansaço esquisito que eu sentia, mas meu corpo nem tanto assim. Vá entender, né? Eu quero janeiro, quero 2005, quero colocar 2004 bem no meu passado, esquecidinho. Eu fujo dos problemas e apago memórias ruins. Dezembro foi o mês que tive de fazer o inimaginável. Assinar um pedido de cancelamento da faculdade dos meus sonhos (pelo menos o que eu sempre achei). Trabalhar mais horas que o esperado, não fazer absolutamente nada que estava planejado na minha agenda. Mas foi um mês financeiramente bom, muito també por causa da falta de tempo. Décimo terceiro, PDR adiantado, quase nenhum gasto...entro esse ano novo com um bom pé de meia. Dezembro levou minha paciência, parte do meu autocontrole e minha autoconfiança. Várias vezes eu me sentia profissionalmente preterida, mal apreciada pelos meus superiores, mesmo dando o sangue por eles. Aquilo me fazia mal. Mas era coisa da minha cabeça. Eu maquinava coisas contra mim mesma. Essa semana foi bem melhor. Me senti admirada, apreciada, querida e importante, mesmo num trabalho extremamente técnico, para o qual as pessoas são treinadas, ao contrário de muitos outros. Aquele exame de inglês, o TOEIC, então. Ao contrário do que eu esperava, eu fui muito bem. Ou melhor, bati o recorde do meu departamento em São Paulo. Pois é, parece que errei menos de 5% de exame. E eu realmente não esperava esse resultado mesmo tendo estudado inglês mais de dez anos, feito curso de inglês jurídico e tendo diploma de proficiência. Tenho facilidade nessa língua, mas mesmo assim, preferi não confiar no meu taco. Desci no RH, o cara me entregou o envelope e eu fui abri-lo no elevador. As pernas bambeavam, afinal esse resultado me garante 40% de bonificação mensal, e um monte de outras vantagens que quem não alcançou, não terá. Eu gargalhava dentro do elevador quando li o resultado, e dois homens lá dentro e olhavam com interrogação. Depois disso, as coisas mudaram ainda mais. A reação das pessoas foi extremamente positiva e surpreendente, me tirou um peso das costas e uma encucação banal que podia ser a grande vilã da minha exaustão. Mas ainda continuo muito mais avoada e distraída do que gostaria. Nunca cometo erros grosseiros, sempre banais. É, eu sei que isso é ótimo, mas eles me tiram do sério. E eu sempre dou um jeito de contorná-los sem que ninguém perceba. Estou sempre me relembrando: "Marília, fica atenta aí, pô! Você tá lidando com milhões e milhões de dólares de empresas ultramega gigantescas!!". Assim, eu fico mais esperta. Hoje teve almoço de confraternização numa churrascaria bem gostosa. Ao voltar, todo mundo foi dispensado. Meu grupo (4 pessoas), não pôde devido ao excesso de trabalho. E eu ainda saí mais cedo que eles, umas cinco da tarde. Acho que, no cômputo geral, 2004 acabou bem profissionalmente. Eu desejei uma coisa intensamente, passei uns belos quatro meses me submetendo a testes (que iam de inglês, lógica e redação a grafotécnico, e alguns exercícios dinâmicos que apareceram no Aprendiz) e consegui conquistá-la. Agora é: "Chega de lamúrias e vá mostrar a que veio: trabalhar muito pra ganhar muito dinheiro e fazer pelo menos duas viagens da sua lista dos sonhos. Sem paitrocínio nenhum, às minhas custas, porque não tem sensação melhor que essa! Quando o dinheiro não é teu, a viagem acaba não sendo tão tua também. Eu paguei uma viagem longa minha uma vez e foi ímpar." Bom, se foi isso que eu desejei, então pronto. Em 2005 eu arregaço as mangas e me chamo trabalho.
A dor dos outros
Graças ao fotojornalismo e à televisão, para nós, a dor dos outros não é apenas o acidente na esquina ou a doença de um parente. Contemplamos a cada dia o sofrimento humano pelo mundo afora.
Podemos ignorar onde está a Somália e qual é a razão que a condena à fome, mas as imagens de crianças somalis, esqueléticas e inchadas, estão em nossa memória. Esquecemos os detalhes da catástrofe étnica e política que explodiu a ex-Iugoslávia, mas nos lembramos da cor do sangue nas calçadas de Sarajevo. Não entendemos nada das facções que, no Congo, massacram milhões, mas, uma vez por mês, em algum jornal, encontramos o olhar de uma criança congolesa amputada a golpes de machete.
Nos anos 80, escrevi uma tese que tratava dos campos nazistas de extermínio. Percorri os porões do horror até a náusea, de leitura em leitura. Mas, ainda hoje, "genocídio" evoca imediatamente, em mim, não palavras, mas imagens: as fotografias tiradas na liberação dos campos e aquele menino judeu, de boné, mãos levantadas e estrela-de-davi no peito... Você sabe de que imagem estou falando, pois temos em comum não só o repertório de Hollywood, mas também um arquivo fotográfico da dor.
Para refletir sobre os efeitos desse patrimônio contemporâneo, Susan Sontag acaba de publicar um livro pequeno e admirável: "Regarding the Pain of Others" (contemplando a dor dos outros), editora Farrar, Straus and Giroux.
Muitas vezes, a significação das imagens do arquivo da dor depende de quem olha. Talvez, 60 anos atrás, numa cervejaria de Munique, a fotografia daquele menino de boné tenha suscitado o riso de um bando de SS. Talvez, hoje, a fotografia de um tútsi levantando os braços mutilados inspire alegria numa roda de hutus e vice-versa.
Mesmo assim, o arquivo tem uma relevância moral. De um jeito que as palavras não alcançam, ele lembra os atos dos quais nós, humanos, somos capazes (o que inspira cautela na hora de invocar o bom direito puxando a espada). Além disso, o arquivo estende o alcance de nossa simpatia. Partilho pouco com uma mulher argelina: separam-nos língua, religião, cultura e sonhos. Mas, quando a vejo errando pelos escombros de um terremoto em que ela perdeu os filhos e os objetos que representavam sua história, "reconheço" imediatamente o que ela sente. A dor decreta nossa semelhança.
Ora, desde os anos 80, as imagens do arquivo da dor são objetos de ataques e críticas.
Começou com a idéia de que, à força de contemplar, a gente se acostumaria: o sofrimento dos outros seria como a musiquinha do caminhão do gás, que não nos acorda mais. Logo, os fotógrafos que arriscam (e, às vezes, perdem) a vida para nos trazer imagens abomináveis foram chamados de "turistas de guerra", como se, por eles, a dor se tornasse mais uma atração no circo do mundo.
Sontag escreve sobre essa crítica (que lhe parece ser "uma especialidade francesa", de Guy Debord a Jean Baudrillard): "Segundo uma análise influente, vivemos numa "sociedade do espetáculo". Cada situação deve ser transformada em espetáculo para ser real ou seja, interessante para nós. (...) A realidade abdicou. Só há representações: mídia". Consequência disso: "Os cidadãos da modernidade, consumidores de violência como espetáculo, adeptos da proximidade sem risco" (ou seja, da proximidade com a foto de primeira página, e não com os fatos) seriam assim "instruídos no cinismo".
Mas quem são os cínicos? Os espectadores, os fotógrafos ou os críticos? Sontag, referindo-se aos críticos: "Algumas pessoas fariam qualquer coisa para evitar a comoção". Para esquecer o que as imagens mostram de fato, é cômodo denunciá-las por elas serem imagens. Ganha-se, assim, a suposta superioridade de quem estaria desmascarando um truque em que todos caem.
Mas não é só isso. O que leva a criticar a imagem é a incapacidade de responder ao olhar do menino congolês. Diremos que a imagem é bonita demais (como as fotos de Sebastião Salgado, não é?) ou sensacionalista (o jornal só quer vender, não é?), porque criticar a imagem é preferível a encarar nossa impotência diante dos fatos.
Mais uma nota. As imagens da dor dos outros são acusadas de inspirar curiosidades mórbidas. Procuraríamos jornais encharcados de sangue, assim como diminuímos a velocidade passando por um acidente, na "esperança" de ver sangue. Será que esse interesse não tem um fundo erótico inconfessado?
Tem mesmo. E Sontag tem razão em constatar que os corpos que sofrem rivalizam com os nus na capa das revistas. Mas não há nenhuma vergonha nisso. Na agonia, os outros me aparecem reduzidos aos seus corpos. Descubro assim um segredo de polichinelo: não "temos" um corpo, "somos" nosso corpo. Essa revelação é fonte de angústia: cadê o ego, cadê a valentia narcisista nesta massa de carne que sofre? Mas redescobrir que "somos" um corpo, mesmo na angústia, é também, inevitavelmente, uma experiência erótica. Qualquer criança católica sabe disso, se seus sentidos foram despertados diante das imagens do martírio de santos e santas.
E daí? Para esquecer nosso corpo, deveríamos também esquecer a agonia dos outros?
Contardo Calligaris na Folha de 05/06/2003.
Graças ao fotojornalismo e à televisão, para nós, a dor dos outros não é apenas o acidente na esquina ou a doença de um parente. Contemplamos a cada dia o sofrimento humano pelo mundo afora.
Podemos ignorar onde está a Somália e qual é a razão que a condena à fome, mas as imagens de crianças somalis, esqueléticas e inchadas, estão em nossa memória. Esquecemos os detalhes da catástrofe étnica e política que explodiu a ex-Iugoslávia, mas nos lembramos da cor do sangue nas calçadas de Sarajevo. Não entendemos nada das facções que, no Congo, massacram milhões, mas, uma vez por mês, em algum jornal, encontramos o olhar de uma criança congolesa amputada a golpes de machete.
Nos anos 80, escrevi uma tese que tratava dos campos nazistas de extermínio. Percorri os porões do horror até a náusea, de leitura em leitura. Mas, ainda hoje, "genocídio" evoca imediatamente, em mim, não palavras, mas imagens: as fotografias tiradas na liberação dos campos e aquele menino judeu, de boné, mãos levantadas e estrela-de-davi no peito... Você sabe de que imagem estou falando, pois temos em comum não só o repertório de Hollywood, mas também um arquivo fotográfico da dor.
Para refletir sobre os efeitos desse patrimônio contemporâneo, Susan Sontag acaba de publicar um livro pequeno e admirável: "Regarding the Pain of Others" (contemplando a dor dos outros), editora Farrar, Straus and Giroux.
Muitas vezes, a significação das imagens do arquivo da dor depende de quem olha. Talvez, 60 anos atrás, numa cervejaria de Munique, a fotografia daquele menino de boné tenha suscitado o riso de um bando de SS. Talvez, hoje, a fotografia de um tútsi levantando os braços mutilados inspire alegria numa roda de hutus e vice-versa.
Mesmo assim, o arquivo tem uma relevância moral. De um jeito que as palavras não alcançam, ele lembra os atos dos quais nós, humanos, somos capazes (o que inspira cautela na hora de invocar o bom direito puxando a espada). Além disso, o arquivo estende o alcance de nossa simpatia. Partilho pouco com uma mulher argelina: separam-nos língua, religião, cultura e sonhos. Mas, quando a vejo errando pelos escombros de um terremoto em que ela perdeu os filhos e os objetos que representavam sua história, "reconheço" imediatamente o que ela sente. A dor decreta nossa semelhança.
Ora, desde os anos 80, as imagens do arquivo da dor são objetos de ataques e críticas.
Começou com a idéia de que, à força de contemplar, a gente se acostumaria: o sofrimento dos outros seria como a musiquinha do caminhão do gás, que não nos acorda mais. Logo, os fotógrafos que arriscam (e, às vezes, perdem) a vida para nos trazer imagens abomináveis foram chamados de "turistas de guerra", como se, por eles, a dor se tornasse mais uma atração no circo do mundo.
Sontag escreve sobre essa crítica (que lhe parece ser "uma especialidade francesa", de Guy Debord a Jean Baudrillard): "Segundo uma análise influente, vivemos numa "sociedade do espetáculo". Cada situação deve ser transformada em espetáculo para ser real ou seja, interessante para nós. (...) A realidade abdicou. Só há representações: mídia". Consequência disso: "Os cidadãos da modernidade, consumidores de violência como espetáculo, adeptos da proximidade sem risco" (ou seja, da proximidade com a foto de primeira página, e não com os fatos) seriam assim "instruídos no cinismo".
Mas quem são os cínicos? Os espectadores, os fotógrafos ou os críticos? Sontag, referindo-se aos críticos: "Algumas pessoas fariam qualquer coisa para evitar a comoção". Para esquecer o que as imagens mostram de fato, é cômodo denunciá-las por elas serem imagens. Ganha-se, assim, a suposta superioridade de quem estaria desmascarando um truque em que todos caem.
Mas não é só isso. O que leva a criticar a imagem é a incapacidade de responder ao olhar do menino congolês. Diremos que a imagem é bonita demais (como as fotos de Sebastião Salgado, não é?) ou sensacionalista (o jornal só quer vender, não é?), porque criticar a imagem é preferível a encarar nossa impotência diante dos fatos.
Mais uma nota. As imagens da dor dos outros são acusadas de inspirar curiosidades mórbidas. Procuraríamos jornais encharcados de sangue, assim como diminuímos a velocidade passando por um acidente, na "esperança" de ver sangue. Será que esse interesse não tem um fundo erótico inconfessado?
Tem mesmo. E Sontag tem razão em constatar que os corpos que sofrem rivalizam com os nus na capa das revistas. Mas não há nenhuma vergonha nisso. Na agonia, os outros me aparecem reduzidos aos seus corpos. Descubro assim um segredo de polichinelo: não "temos" um corpo, "somos" nosso corpo. Essa revelação é fonte de angústia: cadê o ego, cadê a valentia narcisista nesta massa de carne que sofre? Mas redescobrir que "somos" um corpo, mesmo na angústia, é também, inevitavelmente, uma experiência erótica. Qualquer criança católica sabe disso, se seus sentidos foram despertados diante das imagens do martírio de santos e santas.
E daí? Para esquecer nosso corpo, deveríamos também esquecer a agonia dos outros?
Contardo Calligaris na Folha de 05/06/2003.
*Esse texto também está no novo livro dele, uma compilação de crônicas escritas pra Folha*
quarta-feira, dezembro 29, 2004
terça-feira, dezembro 28, 2004
No dia em que eu planejava postar fotos sob o título "Diante da dor dos outros", me veio a notícia da morte de Susan Sontag, a autora dessa, dentre outras preciosidades. Uma mulher porreta a menos pra contar nossa história. Na minha vida, com toda certeza, ela é inspiração, um ídolo real. Queria ser ela quando crescesse. E eu sequer sabia que ela estava doente. Após essa péssima maré de tragédias e catástrofes, mais uma rasteira que a gente leva. Ai, perdoe-me o pessimismo, mas que parece que só os ruins estão sobrevivendo a todos nós, isso parece!
Em tempo, "Diante da dor dos outros" é um dos livros mais incríveis, chocantes e contestadores que eu já vi na vida. Durante, parece que você foi jogada num liqüidificador. Depois, nunca mais a mesma diante da maldita dor que nos cerca.
Fico devendo aqui uma crônica que o Calligaris escreveu há um tempo já e um professor leu pra gente na faculdade de jornalismo. * anotei na mão.
Em tempo, "Diante da dor dos outros" é um dos livros mais incríveis, chocantes e contestadores que eu já vi na vida. Durante, parece que você foi jogada num liqüidificador. Depois, nunca mais a mesma diante da maldita dor que nos cerca.
Fico devendo aqui uma crônica que o Calligaris escreveu há um tempo já e um professor leu pra gente na faculdade de jornalismo. * anotei na mão.
segunda-feira, dezembro 27, 2004
Ontem à noite, depois de banho tomado, meião cor de rosa e pijaminha, deitei em frente à TV. Tinha uns DVDs pra ver, todos pesadíssimos. Pensei: "Hmmm, não." Liguei no Fantástico, coisa que nunca faço porque é deprê mesmo. Vi a história do cara que ficou mais de um ano preso porque o irmão cometia crimes em seu nome. O cara mais do bem que já vi na vida. Sabe aquelas pessoas puras, com o coração sem espaço pra nenhum sentimento ruim? Pra mim, ele foi a imagem de Jesus Cristo nesse Natal. O abraço que ele ganhou da família foi talvez o abraço mais apertado e sincero que eu testemunhei nesses meus modestos 25 anos de vida. Quando perguntado se ele perdoava o irmão, ele nem titubeou, nem por umsegundo. Respondeu: "Claro que sim!". Eu acredito piamente de que ele é daqueles que perdoa mesmo, de coração aberto. Uma história pra eu levar pra vida como exemplo. Depois, ainda por cima, aquela tragédia no sul da Ásia, aquelas pessoas se desesperando à beira da catástrofe absoluta. O rosto do presidente eleito da Ucrânia (cujo nome não sei escrever), se deteriorando progressivamente por causa do veneno dado a ele, um horror. Poucos meses atrás ele tinha a pele lisinha...Talvez se tivesse assistido Monster teria sido menos pesado prum domingão à noite.
domingo, dezembro 26, 2004
Eu dei pra Julie exatamente o mesmo presente de Natal que ela me deu. O mesmo brinco que as duas tinham visto na loja um dia antes, e comentado que queriam ter.
Minha tia (com quem eu praticamente só falo de cinema) me perguntou à mesa, sexta à noite:
- Má, você acha que quando o Bill Murray fala no ouvido da Scarlett na última cena, eles tão combinando de se encontrar depois? Porque ela sorri e os dois saem do abraço felizes!
- Putz, Gu, não tinha pensado nessa hipótese! Pode muito ser, né? Tipo Ethan Hawke e Julie Delpy!!
- É, né?
- Má, você acha que quando o Bill Murray fala no ouvido da Scarlett na última cena, eles tão combinando de se encontrar depois? Porque ela sorri e os dois saem do abraço felizes!
- Putz, Gu, não tinha pensado nessa hipótese! Pode muito ser, né? Tipo Ethan Hawke e Julie Delpy!!
- É, né?
Filme bom nunca se esgota numa única possibilidade.
sexta-feira, dezembro 24, 2004
eu quero uma lua plena
eu quero sentir a noite
eu quero olhar as luzes
que teus olhos não me tem deixado ver
agora eu vou viver
eu quero sair de manhã
eu quero seguir a estrela
eu quero sentir o vento pela pele
um pensamento me fará
uma louca tempestade
eu quero ser uma tarde gris
eu quero que a chuva corra sobre o rio
o rio que por ruas corre em mim
as águas que me querem levar tão longe
tão longe que me façam esquecer de ti
eu quero sentir a noite
eu quero olhar as luzes
que teus olhos não me tem deixado ver
agora eu vou viver
eu quero sair de manhã
eu quero seguir a estrela
eu quero sentir o vento pela pele
um pensamento me fará
uma louca tempestade
eu quero ser uma tarde gris
eu quero que a chuva corra sobre o rio
o rio que por ruas corre em mim
as águas que me querem levar tão longe
tão longe que me façam esquecer de ti
Hoje dormi e dormi. Comi chocotone no café da manhã. Acordei e tava passando Beverly Hills 90210 no Sony. Assisti na cama, abraçada com meu novo travesseiro de hipopótamo, que namorei meses na loja e ganhei ontem à noite. Fiquei falando de cinema até agorinha. Ontem à noite, demorei menos de dez minutos da Villaboim até aqui. Parecia um sonho lúcido, mesmo. Acabo de receber uma carta da PUC que me deixou com os olhos marejados: às terças-feiras teria aulas de uma única disciplina, das sete às onze: fotojornalismo. Mas esse sonho acabou faz tempo. Então, é Natal.
quinta-feira, dezembro 23, 2004
Almocei Pizza Hut com guaraná hoje.
E ainda comprei presentinhos pra duas amigas.
Realmente o Natal chegou!
quarta-feira, dezembro 22, 2004
Porque é uma sinfonia agridoce essa vida
Você tenta viver dentro do orçamento
É um escravo do dinheiro, e então morre
Eu vou te levar pela única estrada onde já estive
Sabe, aquela que te leva aos lugares
Onde todos os vaidosos se encontram
Sem mudanças, eu não posso mudar
Eu posso mudar, eu posso mudar
Mas eu estou aqui na minha forma
Estou aqui na minha forma
Mas sou um milhão de pessoas diferentes
De um dia para o outro
Eu não posso mudar minha forma, não
Eu nunca rezei
Mas esta noite estou de joelhos
Eu preciso ouvir alguns sons que
Identifiquem a dor em mim
Vou deixar a melodia brilhar
Vou deixá-la limpar minha mente
Me sinto livre agora
Mas as ondas do ar estão limpas
E não há ninguém cantando pra mim, agora
Você tenta viver dentro do orçamento
É um escravo do dinheiro, e então morre
Eu vou te levar pela única estrada onde já estive
Sabe, aquela que te leva aos lugares
Onde todos os vaidosos se encontram
Sem mudanças, eu não posso mudar
Eu posso mudar, eu posso mudar
Mas eu estou aqui na minha forma
Estou aqui na minha forma
Mas sou um milhão de pessoas diferentes
De um dia para o outro
Eu não posso mudar minha forma, não
Eu nunca rezei
Mas esta noite estou de joelhos
Eu preciso ouvir alguns sons que
Identifiquem a dor em mim
Vou deixar a melodia brilhar
Vou deixá-la limpar minha mente
Me sinto livre agora
Mas as ondas do ar estão limpas
E não há ninguém cantando pra mim, agora
Bom...não perdi a hora hoje, pelo contrário. Tinha esquecido como é bom acordar mais cedo e sair com tempo. Mas hoje deu tudo meio errado de manhã. Nariz entupido, errei na roupa, trânsito parado. Ai! A melhor sensação do mundo deve ser a de surfar. E, de vez em quando, olhar pra praia lá do meião do mar e ver o mundo caber na sua mão. Quando eu li Hemmingway, fiquei com vontade de saber o que é o meião do mar.
terça-feira, dezembro 21, 2004
Beijos pra Marilia M... Fico felicissima - e honrada! - que voce esteja acompanhando a viagem.
A Giorgia tá na India, mochilando. E ainda arranja tempo pra lembrar de mim. :)
Os melhores blogueiros do Brasil já me descobriram, mas ainda não descobriram o reticentia.
A Giorgia tá na India, mochilando. E ainda arranja tempo pra lembrar de mim. :)
Os melhores blogueiros do Brasil já me descobriram, mas ainda não descobriram o reticentia.
Natal deveria ser facultativo. Onde você vai passar o Natal? Na minha casa, jantando comida comum, vindo na internet, vendo um filme. Mas parece que é proibido por lei.
Depois ainda vem Ano Novo, a festa fake por natureza. E quando vc pensa que está livre, começam a esquentar os tamborins. Por isso que eu adoro segundas-feiras comuns.
M.W.
Depois ainda vem Ano Novo, a festa fake por natureza. E quando vc pensa que está livre, começam a esquentar os tamborins. Por isso que eu adoro segundas-feiras comuns.
M.W.
Assino embaixo.
Hoje eu fiz um exame de inglês chamado TOEIC. Acontece que hoje não foi um bom dia pra concentração, pra mim. Aliás não mesmo. Lucid dream, baby, lucid dream! Eu bem que falei. Até almocei no chinesinho hoje, que o que eu faço quando quero ser indulgente, eu caio de boca no shoyu, nos rolinhos primavera com molho agridoce e no fortune cookie. Tem coisa mais linda do que comidinhas com nome da minha estação preferida e sobremesa com mensagem dentro? Não. Devido à minha situação aérea e à rapidez dos exercícios de listening, eu posso muito bem ter rodado. Aguardemos e veremos. Tenho um segredinho, também. Hoje, mais uma vez acordei porque meu anjo da guarda dorme com um dos olhos abertos, não é possível. Noite retrasada, acertei o relógio errado, troquei o AM pelo PM, sabe? O alarme não tocou, mas abri os olhos sozinha às 7:40 am, horário que eu já tô com o café preto na mão e um pé na porta. Acabou dando certo, naquelas. Ontem quando fui arrumar o tal AM/PM, acertei o relógio com uma hora de atraso. Ou seja, o alarme tocou supostamente às 6:40 am pra eu me enfiar embaixo dum chuveiro molhado e lavar a cabeça, acordar, me recuperar da noite anterior (que acabara quase às duas da matina), mas na verdade eram 7:40 de novo!!! Ainda bem que meu corpo responde. Me troquei em dez, engoli o café e parti rumo à Z.O., sob a já costumeira garoa paulistana matinal, costurando todo mundo que aparecia na minha frente. O segredinho, se você é rápido, é que não consegui tomar banho, né? Fui assim, meio "sujinha", me sentindo péssima, a última das criaturas. Fiquei o dia inteiro me sentinho mal... mas tava cheirosinha, e tal...ninguém perceberia minha situação se eu não contasse...alguém até comentou como eu estava cheirosa, mas eu sabia que eram perfume e desodorantes bons, tão-somente. Justo eu que amo tomar banhos de 40 minutos diariamente, e tive que me sair com essa hoje. Imagina se tivesse feito os 30° de costume? Ainda bem que passei o dia sentindo frio, né? Não conta pra ninguém!!!!
Sabia que quando eu entro no blog de manhã, ou no final da tarde (depende do meu dia) e vejo comentários nos meus posts, meu coração dispara?
No som. A trilha do Ripley, fantástica. Aliás, toca aqui na sala quase sempre.
No rádio, de manhã. Ministros pedem autorização pros traficas pra entrar no morro. E não avisam à polícia, endossando a palhaçada. Quando eu falo que esse país acabou antes de começar....
Sem comentários foi a noite de ontem. Surreal! Nossa...ai...tô passada...
Sem co-men-tá-ri-os!!
Ai, nem sei direito o que pensar, se sinto uma puta aflição ou se...sei lá.
Pra piorar ainda caí da cama hoje de novo, perdi a hora feio, mas ainda consegui chegar só cinco minutinhos atrasada de novo...tô me especializando em perder a hora e contornar a situação. Daqui a pouco ainda chego antes do normal. Que acontecece comigo? Nunca fui de perder a hora, de repente dois dias seguidos...hmmm...estranho...
Tô com aquela sensação de quem acorda no meio do sono e tem que seguir a vida, mas fica com a sensação do sonho o dia inteiro sabe? Tô meio Vanilla Sky nesse exato momento...um pouco aqui, outro pouco no sonho...mas que sonho??? Que coisa estranha é a vida. Dez anos atrás, sabe quando eu ia conceber isso????? Ai, meu coração palpita!
segunda-feira, dezembro 20, 2004
Sem comentários. Tem um "agradecimento" de Marina W no Blowg de hoje a euzinha mesma. A "Marília" citada lá sou eu. Tô ficando famosa entre os blogueiros desse Brasil, meu Deus...mas nenhum deles conhece meu blog ainda por causa da minha timidez...
Será que tá na hora de eu abrir a rede?
domingo, dezembro 19, 2004
sábado, dezembro 18, 2004
Acabei de entrar no Lomography e tinha uma foto minha na primeira página do site.
Quase caí da cadeira!
Quase caí da cadeira!
As pedras preciosas são:
diamante,
safira e rubi,
alexandrita
e esmeralda.
Já comprei diamante, esmeralda e rubi.
Amo jóias.
diamante,
safira e rubi,
alexandrita
e esmeralda.
Já comprei diamante, esmeralda e rubi.
Amo jóias.
Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.
Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.
Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.
Fernando Pessoa, 6-1-1923
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.
Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.
Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.
Fernando Pessoa, 6-1-1923
dance as though no one is watching you
love as though you have never been hurt before
sing as though no one can hear you
live as though heaven is on earth
love as though you have never been hurt before
sing as though no one can hear you
live as though heaven is on earth
nao consigo imaginar pq gosto tanto de ler o que vc escreve...
talvez seja pq já que muitos dizem que a felicidade está nos pequenos
detalhes, e a nossa vida, creio que tanto a sua quanto a minha, são
pontuadas por pequenos acontecimentos como ir numa noite de autografo,
ir ao banco, brigar com nao sei quem...
...
Entao talvez seja por isso que eu goste tanto de ler o que vc escreve...
pq fala de coisas simples e bacanas.
...
continue assim.
escreva! Sem filtro. Nao pense no que o que ler vai pensar.
flua... flua a escrita
talvez seja pq já que muitos dizem que a felicidade está nos pequenos
detalhes, e a nossa vida, creio que tanto a sua quanto a minha, são
pontuadas por pequenos acontecimentos como ir numa noite de autografo,
ir ao banco, brigar com nao sei quem...
...
Entao talvez seja por isso que eu goste tanto de ler o que vc escreve...
pq fala de coisas simples e bacanas.
...
continue assim.
escreva! Sem filtro. Nao pense no que o que ler vai pensar.
flua... flua a escrita





















































