r e t i c e n t i a . . .

"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho..." Mário Quintana

quinta-feira, agosto 31, 2006



"impossible is only a word"

Cirque du Soleil



Ah, a rotina...a tão malfadada! Mas tem algo de sedutor e romântico na rotina, se a gente prestar bastante atenção. No aceno que o moço do farol te dá todos os dias. Nas meninas do coffee shop do décimo sexto andar, que, quando te vêem chegando à tarde, falam: "Expresso?", estampando um sorriso fofo no rosto. Ou a menina do Shop-to-go, que pela manhã pergunta "Não vai querer uma banana hoje?" e à tarde "Quer um chocolatinho ou uma paçoquinha?". O manobrista do estacionamento, que fazia mil manobras pra me deixar parar naquela vaga que eu tanto gostava, sem que eu precisasse pedir. Os lanchinhos que minha mãe deixa na mesa pra eu comer quando chego em casa depois das onze. Ou meu pai, que às vezes pergunta se eu quero comer uns moranguinhos antes de dormir. A manicure que já sabe que a unha é quadradinha e vermelhinha...

e vocês estão carecas de saber que eu gosto é dessas coisas.

/ os leoninos têm qualquer coisa de apaixonante \

quarta-feira, agosto 30, 2006


observações

uma amiga do escritório me apelidou de carpe diem





o meu horário eleitoral gratuito

Bs. As., Janeiro 2006


O que eu quero de você
De Milly Lacombe

"Quero acordar do seu lado num domingo de manhã e saber que não temos hora para sair da cama. E, depois, ir tomar café na padaria e ler o jornal com você. Quero ouvir você me contar sobre o trabalho e falar detalhadamente de pessoas que eu não conheço, e nem vou conhecer, como se fossem meus velhos amigos. Quero ver você me olhar entre um gole de café e outro, sem nada para dizer, e apenas sorrir antes de voltar a folhar o caderno de cultura. Quero a sua mão no meu cabelo, dentro do carro, no caminho do seu apartamento. Quero deitar no sofá e ver você cuidar das plantas, escolher a playlist no ipod e dobrar, daquele seu jeito metódico e perfeccionista, as roupas esquecidas em cima da cama. E que, sem mais nem menos, você desista da arrumação, me jogue sobre a bagunça, me beije e me abrace como nunca fez antes com outra pessoa. E que pergunte se eu quero ver um DVD mais tarde. Quero tomar uma taça de vinho no fim do dia e deitar do seu lado na rede, olhando a lua e ouvindo você me contar histórias do passado. Quero escutar você falar do futuro e sonhar com minha imagem nele, mesmo sabendo que eu provavelmente não estarei lá. Quero que você ignore a improbabilidade da nossa jornada e fale da casa que teremos no campo. Quero que você a descreva em detalhes, que fale do jardim que construiremos, e dos cachorros que compraremos. E que faça tudo isso enquanto passa a mão nas minhas costas e me beija o rosto. Quero que você nunca perca de vista a música da sua existência, e que me prometa ter entendido que a felicidade não é um destino, mas a viagem. E que, por isso, teremos sido felizes pelos vários domingos na cama e pelos sonhos que comparilhamos enquanto olhávamos a lua. Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida. Que você nunca mais deixe de pensar em mim quando for a Londres, escutar Dream' Bout Me ou ler Nick Hornby. E, por fim, que você continue a dançar na sala. Para sempre. Mesmo quando eu não estiver mais olhando."

segunda-feira, agosto 28, 2006





Thought you had all the answers
Rest your heart upon
But something happens
Don't see it coming, now
You can't stop yourself

Now you're out there swimming
In the deep

Life keeps tumbling you heart in circles
Till you let go
Till you shed your pride and you climb to heaven
And you throw yourself off

Now you're out there spinning
In the deep

Now you're out there spinning
Now you're out there swimming
In the deep

como as segundas-feiras são indigestas


- Marília, eu te contei que meu avô veio visitar a gente nesse domingo?
- Não...
(pausa de alguns segundos)
- Caio...seus avôs não estão mortos?
- Estão!

* - *

- Laura, vem aqui me dar um beijo!
- Ah Caio, se você fosse 20cm mais alto!!!
- Nem te conto onde estão distribuídos esses 20cm...
- Olha...eu sou uma lady...mas não brinque comigo! 20cm são 20cm!

* - *

- (Abaixa e levanta rapidamente ao lado da minha cadeira) Marília!!!!
- O quê???
- Rasgou minha calça, você não ouviu??
- Não...(já meio rindo)
- Putz, você não sabe...Deus está me castigando!
- Por que?
- Porque ontem eu disse que estava torcendo pra calça da fulana rasgar, ela passar a maior vergonha da vida dela e finalmente começar um regime!

* - *

- Nossa, Má, coitado do meu irmão...ele é muito loser!
- Por que, tadinho?
- Você ficou sabendo da história mais hilária dele? Do aniversário?
- Não...
- Ele mandou fazer 80 convites mas só apareceu uma pessoa no bar. E a menina levou três amigos. Ou seja, ela levou mais gente pro bar do que o aniversariante!!! hahaha


E eu passo quase o dia inteiro em meio às lágrimas das minhas gargalhadas com essa pessoa.

domingo, agosto 27, 2006



old habits die hard


"flor da boca da pele do céu
pele do céu da flor da boca
céu da flor da boca da pele
boca da pele do céu da flor"

Augusto de Campos

# 008

Meu coração, farrapo humano esmaecido de cores pastéis, abaladas por neons azuis vermelhos verdes amarelos, que te agride sem querer, querendo talvez te afastar, achando que te afastando, te esqueceria, e que te esquecendo, pararia de sofrer. Uma lágrima quer se jogar do alto do meu olho, o coração a incita, e ela se joga. O vento desarruma o seu cabelo e eu fico tentado a ajeitá-lo, mas não posso, você ficaria então sabendo, e eu não sei, essas dúvidas me agridem. Machucam tanto que querem se ver livres de você. Mas eu não deixo, luto contra. Estou lutando.

Você, motivo único e real para eu querer sonhar.

Edu


ABL, atentei-vos!

sábado, agosto 26, 2006





hoje fui almoçar tinha um realejo na porta do resto não resisti o periquitinho era a coisa mais linda e querida o moço perguntou "solteira, mocinha?" "sim" disse que o bichinho precisava dessa informação pegou o papel amarelinho e deu um beijinho me desejaram boa sorte e já sentada na mesa li no papelzinho que dizia "SORTE" que tudo mudará e que notícias agradáveis hão de me encontrar pois existe alguém que me segue em silêncio e há de me fazer muito feliz tal como eu tanto sonho me dará três filhos e ainda terei sorte na loteria com o número 11.

como eu poderia não amar realejos?

"When you love someone, you say it.
You say it out loud. Right now.
Or the moment...passes you by."

Em "My best friend's wedding"

De uns tempos pra cá, tomei a decisão de parar de 'não fazer'. Toda a minha vida eu ouvi reclamações que eu era a sumida, a que não respondia e-mails, ligações, mensagens, recados, bilhetes, cartinhas. Eu era uma pessoa que não dava feedback nenhum pras pessoas! Deixava todo mundo se sentindo no escuro. Era uma característica muito forte da minha personalidade. E chegou ao ponto de virar a minha característica mais marcante, acredite se quiser. E era geral, todo mundo tinha uma reclamação pra fazer a meu respeito nesse sentido. E eu realmente não me importava com isso, e só percebia quando alguém reclamava. Me desculpava e prometia que não ia acontecer de novo, mas nada mudava. Estava confortável. Até que eu comecei a perceber que não era isso que eu queria pra mim. Porque esse é sempre o caminho mais curto, mais fácil. Desisitir de fazer antes mesmo de tentar, evitando assim o provável choque com o muro. Que fácil seria passar uma existência sem se machucar. E ignorar as pessoas, acreditando piamente que elas vão estar sempre lá, apesar de sua indiferença.

No terceiro semestre da faculdade, um menino da minha classe - que eu mal cumprimentava - que estava no meu grupo de Direito Civil, me mandou um e-mail. Era um e-mail longuíssimo, com cara de que tinha levado dias entre a primeira linha e o send. Ele dizia as coisas mais legais, mais bonitas que eu já tinha recebido de alguém. Era uma declaração de amor de alguém que não tinha coragem de falar pessoalmente. E eu sequer o guardei, confio somente nas lembranças que tenho de um ou dois parágrafos. Ele dizia que adoraria me conhecer melhor, saber se meu apelido era Má, como ele imaginava ser. Que às vezes, antes de dormir, fechava os olhos e tentava imaginar como eu era quando criança. E mais um monte de coisas bacanas assim. Eu mostrei esse email só pra uns três ou quatro amigos, de tão íntimo. Mas o que mais me marcou nisso, e o grande causador de um arrependimento que vai me perseguir pelo resto dos meus dias - ou até que eu o reencontre e consiga redimir - é que, no final do email, ele dizia que não nutria esperanças nem esperava nada de mim. Mas pedia somente que eu repondesse, qualquer coisa. Pelo menos pra ele soubesse que eu tinha lido. E eu nunca respondi. Nem sequer guardei. E foi horrível da minha parte, porque eu provavelmente não consegui, ao longo dos próximos três anos e meio, disfarçar que eu havia lido. Pelo contrário, passei esses anos evitando o menino pra não ter que entrar em contato com esse meu lado egoísta.

Tudo isso era o mais puro reflexo de uma falta de maturidade minha. Não é mais isso que eu quero. Eu quero responder meus emails, atender os telefonemas, responder todos os recados, mandar notícias pros amigos, pra que eles saibam o quanto são queridos por mim. Fazer com que as pessoas se sintam importantes, quando de fato são. Quero falar tudo que eu sentir vontade, dizer aquilo que eu sinto. E não perder tempo pra fazer isso. E se isso implicar tropeçar algumas vezes, como já aconteceu desde que eu tomei essa decisão, então que seja. Apesar de tudo, não sinto mais arrependimento e culpa como antes. Não fujo mais.

Quanto aos machucados, estou aprendendo a cuidar.



adoro chopp com gargalhada

quinta-feira, agosto 24, 2006



Cause I'm bigger than my body gives me credit for

quarta-feira, agosto 23, 2006



podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano.

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano.

Paulo Leminski

vogue rg

Qual o último filme que assistiu? Shopgirl; Um filme que não esquece Good Will Hunting; Quem te interpretaria num filme Molly Ringwald; Cubismo ou impressionismo? impressionismo; Onde mais moraria? Valencia, Espanha; Homem engraçado, instigante, e que escreva bem; sonho de consumo viver grandes paixões; Paz mar;



eu tenho medo dos meus déjà vu


segunda-feira, agosto 21, 2006


"Viver é o que há de mais raro.
A maioria apenas existe."

Oscar Wilde







domingo, agosto 20, 2006


I never understood before
I never knew what love was for
My heart was broke, my head was sore
What a feeling

Tied up in ancient history
I didnt believe in destiny
I look up you're standing next to me
What a feeling

What a feeling in my soul
Love burns brighter than sunshine
Brighter than sunshine
Let the rain fall, i don't care
I'm yours and suddenly you're mine
Suddenly you're mine
And it's brighter than sunshine

I never saw it happening
I'd given up and given in
I just couldn't take the hurt again
What a feeling

I didn't have the strength to fight
Suddenly you seemed so right
Me and you
What a feeling

Love will remain a mystery
But give me your hand and you will see
Your heart is keeping time with me

I got a feeling in my soul ...


"A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la."

Gabriel García Marquez, in 'Viver pra contar' - "o livro"




My name could easily be Sam

poesia no formato videoclipe

sábado, agosto 19, 2006


saudade

e sempre que vejo joaninha me lembro de vc! eu tenho uma pitica aqui...
em sua homenagem...

Eu não sei ficar doente. Quando você tem gripe, o que tem a fazer é ficar em casa assistindo filme, sos-se-ga-da. Eu não, eu sinto culpa. Por não estar fazendo alguma coisa útil, por não aproveitar meu sábado, não almoçar com a amiga, não ir à exposição do Degas que vai acabar... O dia que é só seu e você almoçando macarrãozinho da mamãe, tomando chazinho, assistindo hbo, engolindo comprimidos e pastilhas pra sua garganta machucada.

Metáfora.

"O how your fingers drowse me,
Your breath falls around me like dew,
your pulse lulls the tympans of my ears,
I feel immerged from head to foot,
Delicious, enough.

Enough O deed impromptu and secret,
Enough O gliding present--enough O summ'd-up past.

Dear friend whoever you are take this kiss,
I give it especially to you, do not forget me,
I feel like one who has done work for the day to retire awhile,
I receive now again of my many translations, from my avataras
ascending, while others doubtless await me,
An unknown sphere more real than I dream'd, more direct, darts
awakening rays about me, So long!
Remember my words, I may again return,
I love you, I depart from materials,
I am as one disembodied, triumphant, dead."

Walt Whitman, in Leaves of Grass



sexta-feira, agosto 18, 2006


vive la difference

... diz:
mas nosso modo de ver a vida é distinto
... diz:
voce é uma romantica convicta
Marilia diz:
nao romantica "jantar à luz de velas" ou "presente do dia dos namorados"
... diz:
nao é nesse sentido
Marilia diz:
romantica pq eu acho que se apaixonar é a melhor coisa do mundo, disparado
... diz:
é de ver a vida com outros olhos
... diz:
de ver as pequenas coisas..
Marilia diz:
exatamente
Marilia diz:
cirurgico

sempre tem alguém pra gente, né?


tem semanas que acontece tudo de uma vez, que nem ressaca. e todo mundo tá careca de me ouvir falar que estou mais pras marolas, uma coisa mais mar do caribe...calor, frio, calor, frio, trânsito da paulista toda hora, sono, uma pilha de trabalho chato, uma reunião atrás da outra, dor de garganta e ouvido entupido de tanto espirro... mas também tem convite pra um cafezinho com chocolate no meio da tarde, e-ticket da tam no celular, papeleta de férias assinada em cima do teclado, telefoneminhas, e-mailzinhos, olharzinhos e as gargalhadas, sempre elas...





Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira
de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha a minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

Marisa

Eu sou daquelas meninas que analisam os meninos. Sou muito observadora, então é mais forte do que eu...Quando me dou conta, já estou conjecturando...percebo todos os movimentos. E reconheço que, pelo menos comigo, é difícil alguém acertar quase sempre. E eu gosto de strike, sabe? Porque tem momentos que você não quer que ele ligue, mas ele liga. Eu confesso que isso me desanima bastante, e minhas amigas se divertem comigo. Em compensação, às vezes você tá lá, só pensando em trabalho, em mandar aquele e-mail pro seu cliente mais chato, ou preocupada com o trânsito do Itaim que sempre te faz chegar atrasada às reuniões...E aí vem um recadinho no celular que, pãtz, salva o dia. Ou presentinhos bem baratinhos de uma viagem qualquer. Isso pra mim é um strike daqueles. Às vezes, a demora pra responder e-mails, você deixar um recado no celular e vinte e quatro horas depois, nada....Pãtz, não é que é strike de novo? Eu adoro gostar dos meninos, porque só os bracinhos já fazem quase tudo valer; mal dá pra ficar brava com alguma coisa quando você olha pro bracinho. Vocês lá, no meio da crise, você não sabe se vai ou se fica, e aí seu olho esbarra no bracinho. Ai, ai, tudo fica bem e você de-fi-ni-ti-va-men-te fica...e ele nunca vai entender o que te fez selar a discussão com um milhão de beijocas, vai sempre achar que você é tããão charmosa. Não, não, moço, charmoso é o seu bracinho, e não eu. Ao mesmo tempo, tudo isso seria muito chato e brochante se não fosse espontâneo. Menino que calcula os movimentos pode ser uma coisa tão chata...e eu saco isso. Prefiro que mande o e-mail ou ligue na hora errada, mas que seja espontâneo. Uma das coisas que eu acho muito, muito irresistível é homem que faz auto-crítica, que se expõe, escancara seus problemas, seus defeitos, suas dificuldades. Afe. O menino que dá com a cara no muro na sua frente, se quebra todo e ainda banca, assume. Aí, vou te falar, sou - e já fui - capaz de largar o cara mais interessante do mundo por um cara assim. É, eu adoro os meninos...

segunda-feira, agosto 14, 2006




osgemeos, galeria fortes vilaça, agosto 2006

Where'd you go?
I miss you so,
Seems like it's been forever,
That you've been gone.

She said "Some days I feel like shit,
Some days I wanna quit, and just be normal for a bit,"
I don't understand why you have to always be gone,
I get along but the trips always feel so long,
And, I find myself trying to stay by the phone,
'Cause your voice always helps me to not feel so alone,
But I feel like an idiot, workin' my day around the call,
But when I pick up I don't have much to say,
So, I want you to know it's a little fucked up,
That I'm stuck here waitin', at times debatin',
Tellin' you that I've had it with you and your career,
Me and the rest of the family here singing "Where'd you go?"

I miss you so,
Seems like it's been forever,
That you've been gone.
Please come back home...

domingo, agosto 13, 2006



me disseram que todas as coisas boas duram o bastante para se tornarem inesquecíveis











quase-beijo também é booom

sobre os amigos, né...como é bom ligar pra Re, ou mesmo quando ela liga e eu não atendo porque meu celular vive no silencioso e é quase acessório. ela entende e se diverte com isso. e tem nossos almoços de sábado...os comentários do eduzito que sempre me fazem sorrir. falar de viagem com a bile-bile...e gargalhar com ela, tomar sol, dividir segredinhos...a vozinha da bug no telefone, que é uma coisinha...os gostos excêntricos de Lolito, e derrubar a bandeja do garçom no bar lotado...as mensagens de celular do Caio, e as crises de gargalhadas com lágrimas que eu tenho em qualquer lugar que esteja com ele, mas principalmente onde eu não poderia rir...os telefonemas às 3 da tarde da Noca...a Ana, que parece só querer me ver melhorar, melhorar...a Rejane, a Liginha gafanhoto, os emails do Pablo...as mensagens porn do Marcelo...e tudo que vem do Nandico é tudo, a Mari que vive nas minhas lembranças mais ternas, como a saudade gostosa que eu tenho do Zé Gotinha e do Ro...

ai, amigo é boooom!

a-mei essa história que ela indicou

sábado, agosto 12, 2006




podem me mandar cartas

"Em alguma outra vida,
devemos ter feito algo de muito grave,
Para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé , doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
Dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe,
Saudade de uma cachoeira da infância,
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais,
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu,
Saudade de uma cidade,
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem estas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar no quarto e ela na sala, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela pra faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi à consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre culpada,
Se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na internet,
A encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros,
Se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua detestando McDonald's,
Se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que eu estive sentido enquanto escrevia
E o que você provavelmente estará sentindo depois que acabar de ler."

Miguel Falabella, texto publicado n'O Globo

sexta-feira, agosto 11, 2006



e me beija com a boca de café








são paulo, essa semana

(folha online)

meu sono tá atrasado - díssimo, na verdade - mas o remédio é só dormir, que delícia! bastante trabalho, mas numa medida ideal, já que pouco é ruim e demais também não dá. tenho dado tanta gargalhada que dá gosto, apesar do calor. recebi um e-mail totalmente inesperado, mas hiperdesejado, que me fez ganhar o dia, apesar da dor. aliás, ganhei tudo. feliz à beça!

Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence
In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dare
Disturb the sound of silence

"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, "The words of the prophets
are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence

segunda-feira, agosto 07, 2006



"seu blog é drops de hortelã"


quirido, não mereço suas palavras de veludo :)




"Mon Dieu, épargnez-moi les douleurs physiques...
les douleurs morales, je m’en charge."

Oscar Wilde

* para minha querida S.

incenso fosse música

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

p.l.


vou te falar que se o sonho desta noite - que foi lúcido - fosse realidade eu seria a mulher mais, mais feliz

vc acerta em cheio quando me despreza

domingo, agosto 06, 2006





os momentos difíceis que eu passei até hoje me ajudaram não só a enxergar mas também apreciar a beleza dos momentos bons. finalmente eu posso dizer isso, depois de todo esse tempo aprendendo e tentando.

sábado = perfeito

domingo = perfeito


= )


You're awful bright, you're awful smart
I must admit you broke my heart
The awful truth is really sad
I must admit I was awful bad

While lovers laugh and music plays
I stumble by and I hide my pain
The lamps are lit the moon is gone
I think I've crossed the Rubicon

And I walked the streets of love
And they're full of tears
And I walked the streets of love
And they are full of fears

While music pumps from passing cars
A couple watched me from a bar
A band just played the wedding march
and the cornerstore mends broken hearts
A woman asked me for a dance
Oh, It's free of charge just one more chance

And I walked the streets of love
For a thousand years

You had the moves, you had the cards
I must admit you were awful smart
The awful truth is awful sad
I must admit I was awful bad

sábado, agosto 05, 2006


dia lindo, vida linda

vou ali vivê-la e já volto




Bs. As., 2006


Além da Terra, além do Céu,
No trampolim do sem-fim das estrelas,
No rastro dos astros,
Na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
Até onde alcançam o pensamento e o coração,
Vamos!
Vamos conjugar
O verbo fundamental essencial,
O verbo transcendente, acima das gramáticas e
do medo e da moeda e da política,
O verbo sempre amar,
O verbo pluriamar,
Razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, agosto 04, 2006



please be gentle, I'm still learning

Declaração de amor


Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho mas havia um grande berreiro, um enorme burburinho e, pensando bem, o berçário não era o melhor lugar. Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado, cada um recém-chegado você sem saber ouvir, eu sem saber falar. Tentei de novo, lembro bem, na escola. Um PS no bilhete pedindo cola interceptado pela professora como um gavião. Fui parar na sala da diretora e depois na rua enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua. A vida é curta, longa é a paixão. Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo: "Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo". E você não disse nada. Só mais tarde, de ressaca, atinei. Cheio de amor e cuba, me enganei e disse tudo para uma almofada. Gravei, em vinte árvores, quarenta corações. O teu nome, o meu, flechas e palpitações: No mal-me-quer, bem-me-quer, dizimei jardins. Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de "Mata! Mata!" por conservacionistas, ecólogos e afins. Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto: "Se não me segurarem faço um soneto". E não é que fiz, e até com boas rimas? Você não leu, e nem sequer ficou sabendo. Continuo inédito e por teu amor sofrendo. Mas fui premiado num concurso em Minas. Comecei a escrever com pincel e pichei num muro branco, o asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência. Fui preso, aos socos, e fichado. Dias e mais dias interrogado: era PC, PC do B ou alguma dissidência? Te escrevi com lágrimas , sangue, suor e mel (você devia ver o estado do papel) uma carta longa, linda e passional. De resposta nem uma carinha nem um cartão, nem uma linha! Vá se confiar no Correio Nacional. Com uma serenata, sim, uma serenata como nos tempos da Cabocla Ingrata me declararia, respeitando a métrica. Ardor, tenor, a calçada enluarada... havia tudo sob a tua sacada menos tomada pra guitarra elétrica. Decidi, então, botar a maior banca no céu escrever com fumaça branca: "Te amo, assinado.." e meu nome bem legível. Já tinha avião, coragem, brevê tudo para impressionar você mas veio a crise, faltou o combustível. Ontem você me emprestou seu ouvido e na discoteca, em meio do alarido, despejei meu coração. Falei da devoção há anos entalada e você disse "Não escuto banda". Disse "eu não escuto nada". Curta é a vida, longa é a paixão. Na velhice, num asilo, lado a lado em meio a um silêncio abençoado direi o que sinto, meu bem. O meu único medo é que então empinando a orelha com a mão você me responda só: "Hein?".


Luís Fernando Veríssimo


BEIRUTE (Reuters) - Ataques aéreos israelenses destruíram três pontes em estradas ao norte de Beirute nesta sexta-feira, obrigando as agências de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) a cancelar o envio de comboios para aliviar a situação das cerca de 900.000 pessoas deslocadas pelo conflito.
(...)
Pelo menos 693 pessoas já morreram no Líbano e 68 em Israel. O conflito começou em 12 de julho, quando o Hizbollah capturou dois soldados de Israel numa ofensiva na fronteira.

quinta-feira, agosto 03, 2006




- I like you !!!


me falta coragem assim às vezes

Para calar a boca: Rícino
Pra lavar a roupa: Omo
Para viagem longa: Jato
Para difíceis contas: Calculadora
Para o pneu na lona: Jacaré
Para a pantalona: Nesga
Para pular a onda: Litoral
Para lápis ter ponta: Apontador
Para o Pará e o Amazonas: Látex
Para parar na pamplona: Assis
Para trazer à tona: Homem Rã
Para a melhor azeitona: Ibéria
Para o presente da noiva: Marzipã
Para Adidas o Conga: Nacional
Para o outono a folha: Exclusão
Para embaixo da sombra: Guarda Sol
Para todas as coisas: Dicionário
Para que fiquem prontas: Paciência
Para dormir a fronha: Madrigal
Para brincar na gangorra: Dois
Para fazer uma toca: Bobs
Para beber uma coca: Drops
Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: duzentos e vinte volts
Para vigias em ronda: Café
Para limpar a lousa: Apagador
Para o beijo da moça: Paladar
Para uma voz muito rouca: Hortelã
Para a cor roxa: Ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser moda: Melancia
Para abrir a rosa: Temporada
Para aumentar a vitrola: Sábado
Para a cama de mola: Hóspede
Para trancar bem a porta: Cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen
Para quem não acorda: Balde
Para a letra torta: Pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: Amnésia
Pra estourar a pipoca: Barulho
Para quem se afoga: Isopor
Para levar na escola: Condução
Para os dias de folga: Namorado
Para o automóvel que capota: Guincho
Para fechar uma aposta: Paraninfo
Para quem se comporta: Brinde
Para a mulher que aborta: Repouso
Para saber a resposta: Vide o Verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: Hipofagi
Para a comida das orcas: Krill
Para o telefone que toca:
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você o que você gosta: Diariamente

Nando Reis


Estou tão chiquérrima que Riq Freire, mais conhecido como "o cara", já deu duas dicas de viagem valiosíssimas direcionadas só a mim. Até o chamei de meu melhor amigo, sob o justo protesto de bile-bile.

Mas, minha querida, esse posto é intocavelmente seu desde 1990.
E, ao que me consta, é vitalício ;)




pina bausch & almodovar

“Have you ever seen a human heart? It looks like a fist covered in blood…”

Em 'Closer'

segunda: festival de sushi e sashimi do mori
terça: pizza de carciofini da esperanza e valpolicella tinto
quarta: quiche de queijo do viena
quinta: talento cream e café expresso

o inverno vai acabar com meu quadril

quarta-feira, agosto 02, 2006



a propaganda mais deslumbrante que eu vi



I just want you to know who I am






paris, fora de foco, dois mil e cinco

"I will miss your lips
and everything attached to them."

Claire, Elizabethtown

"Hello Kate,

It's joe - we met at Andrew's party.

I hope you don't mind me getting your e-mail address from the e-mail that Andy sent to us all; it is a bit sneaky of me.

It was wonderful to meet you on Saturday, and I wonder if you would consider meeting me for coffee sometime; maybe at the Tate Modern?

OK. This is where my common sense is telling me to stop, keep it simple and positive joe.

And the probability of me listening to that voice? Experience has taught me that it is not worth putting up a fight; I will end up giving in to the part of me that never wants to find itself shaking its head and muttering 'if only'

This is the part where I throw caution to the wind; the part where I listen to my heart and remember that I should live my life as an exultation and revel in the opportunity to try; the part where I refuse to apologize for who I am; the part where I trust that the lady I met on Saturday night is, as I suspect, able to see sincerity where others would see clich.

I am fortunate enough to have been able to collect a number of special memories. They are memories of moments that made any struggle leading up to them worthwhile. They are memories of moments when I am struck by something so beautiful, time stands still and all of the ugliness in the world ceases to exist.

Your smile is the freshest of my special memories.

Regardless of whether we see each other again, I will use it as I do my other special memories. I will call on it when I am disheartened or low. I will hold it in my heart when I need inspiration. I will keep it with me for moments when I need to find a smile of my own.

I am unsure of all my motives for sharing this with you and, if I am honest, not ready to examine them too closely. However, I know that it makes me feel good to believe that maybe, if you are ever upset, knowing that I will be keeping your smile alive might help you through.

If you are half as intelligent and aware as I believe you to be, I am sure that you will find what I have written, in the very least, sweet.

If I am twice as lucky as I would dare to hope, you will find this note charming and agree to contact me and arrange a date.

Either way, I trust that your reply will be candid - you told me how much you value honesty.

One last thing, I promise that it is enormously rare for me to stray as far from sobriety as I managed on Saturday night.

Be safe. Joe"

*Esse convite, feito por e-mail, foi repassado por Kate à sua irmã, que o achou tão lindo que o mandou a amigos, que o repassaram à sua lista de contatos... e a carta de Joe rodou o mundo. É o principal assunto de sites e blogs do Reino Unido. Joe não ficou com Kate, mas recebeu um bocado de propostas - centenas, vindas principalmente dos Estados Unidos e da Austrália.

* Roubei da Suzaninha; queria um Joe pra mim ;)




pôr-do-sol em Naameh, Líbano, hoje

terça-feira, agosto 01, 2006


Caros amigos,

Estou retransmitindo a carta de Boaventura de Souza Santos, que me parece de grande importância em termos do que sentimos todos frente ao conflito. Muitos de vocês já devem ter recebido esta carta por outras vias, mas vale a pena reforçar.

R.




"CARTA A FRANK

Boaventura De Sousa Santos*

Escrevo-te esta carta com o coração apertado. Deixo a análise fria para a razão cínica que domina o comentário político ocidental. És um dos intelectuais judeus israelitas - como te costumas classificar para não esquecer que um quinto dos cidadãos de Israel são árabes - mais progressistas que conheço.

Aceitei com gosto o convite que me fizeste para participar no Congresso que estás a organizar na Universidade de Telavive. Sensibilizou-me sobretudo o entusiasmo com que acolheste a minha sugestão de realizarmos algumas sessões do Congresso em Ramalah.

Escrevo-te hoje para te dizer que, em consciência, não poderei participar no congresso. Defendo, como sabes, que Israel tem direito a existir como país livre e democrático, o mesmo direito que defendo para o povo palestiniano. "Esqueço" com alguma má consciência que a Resolução 181 da ONU, de 1947, decidiu a partilha da Palestina entre um Estado judaico (55% do território) e um Estado palestiniano (44%) e uma zona internacional (os lugares santos: Jerusalém e Belém) para que os europeus expiassem o crime hediondo que tinham cometido contra o povo judaico. "Esqueço" também que, logo em 1948, a parcela do Estado árabe diminuiu quando 700.000 palestinianos foram expulsos das suas terras e casas (levando consigo as chaves que muitos ainda conservam) e continuou a diminuir nas décadas seguintes, não sendo hoje mais de 20% do território.

Ao longo dos anos tenho vindo a acumular dúvidas de que Israel aceite, de facto, a solução dos dois Estados: a proliferação dos colonatos, a construção de infra-estruturas (estradas, redes de água e de electricidade), retalhando o território palestiniano para servir os colonatos, os check points e, finalmente, a construção do Muro de Sharon a partir de 2002 desenhado para roubar mais território aos palestinianos, os privar do acesso à água e, de facto, os meter num vasto campo de concentração). As dúvidas estão agora dissipadas depois dos mais recentes ataques na faixa de Gaza e da invasão do Líbano. E agora tudo faz sentido. A invasão e destruição do Líbano em 1982 ocorreu no momento em que Arafat dava sinais de querer iniciar negociações, tal como a de agora ocorre pouco depois do Hamas e da Fatah terem acordado em propor negociações. Tal como então, foram forjados os pretextos para a guerra. Para além de haver milhares de palestinianos raptados por Israel (incluindo ministros de um governo democraticamente eleito), quantas vezes no passado se negociou a troca de prisioneiros?

Meu Caro Frank, o teu país não quer a paz, quer a guerra porque não quer dois Estados. Quer a destruição do povo palestiniano ou, o que é o mesmo, quer reduzi-lo a grupos dispersos de servos politicamente desarticulados, vagueando como apátridas desenraizados em quadrículos de terreno bem vigiados.

Para isso dá-se ao luxo de destruir, pela segunda vez, um país inteiro e cometer impunemente crimes de guerra contra populações civis. Depois do Líbano, seguir-se-á a Síria e o Irão. E depois, fatalmente, virar-se-á o feitiço contra o feiticeiro e será a vez do teu Israel. Por agora, o teu país é o novo Estado pária, exímio em terrorismo de Estado, apoiado por um imenso lobby comunicacional - que sufocantemente domina os jornais do meu país - com a bênção dos neoconservadores de Washington e a vergonhosa passividade a União Europeia.

Sei que partilhas muito do que penso e espero que compreendas que a minha solidariedade para com a tua luta passa pelo boicote ao teu país. Não é uma decisão fácil. Mas crê-me que, ao pisar a terra de Israel, sentiria o sangue das crianças de Gaza e do Líbano (um terço das vítimas) enlamear os seus passos e embargar-me a voz."

Coluna Visão - 27 de Julho de 2006

* Boaventura de Sousa Santos é Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade e Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison. É igualmente Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Director do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade.


what more in the name of love????????????

a trégua de israel, aqui

estou doente de ver isso. do-en-te.