"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho..." Mário Quintana
* Suzana, papo sério. Quando vai me convidar pro seu lançamento??
Bergman e Antonioni morreram no mesmo dia?
Mas não é possível uma coisa dessas...
Basta ficar 36 horas sem dormir e depois dormir 14 seguidas pra descobrir essas coisas...e eu podia jurar que hoje era primeiro de agosto.
Buenos Aires, julho 2007
Às vezes a gente demora aaaanos pra descobrir determinadas coisas sobre nós mesmos. A gente pensa como pode ter levado tanto tempo pra isso aflorar?
Mas o pior é que algumas vezes essa descoberta surge com o efeito de um tapa na cara.
Estou completamente transtornada com o acidente em Congonhas.
Há de haver algum consolo pra essa dor horrenda e gratuita, em algum lugar...Não consegui pensar em outra coisa nas últimas 24hs; quanta tristeza.
Nervosismo passageiro contraria planos, mas não se deixe levar por alterações de rota ou furos alheios na programação. O futuro está em construção permanente. Expresse de um jeito novo as mesmas velhas verdades; a novidade abrirá os ouvidos alheios. Presença de espírito na vida social.
Horóscopo de 17/07/2007
tibassim, to gripada...quando não faço atchiiiiim, faço cof cof, borque a garganta tá béssima...e que frio em são baulo, hein?!?
"too often the thing you want the most is the thing you can't have; desire leaves us heartbroken, it wears us out; desire can wreck our lives, but as tough as wanting something can be, the people that suffer the most are those who don't know what they want..."
In "Grey's Anatomy"
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
Mário Quintana
Para que servem os blogs?
Estou vivendo um momento bem esquisito da minha vida já há algum tempo. Questiono tudo, “tentando” decidir o que é melhor pra mim. Não sei se caso ou compro uma bicicleta: se peço uma licença e vou viajar, se tranco a pós ou se termino e fico logo livre disso, se recomeço do zero ou aposto nas fichas que já estão sobre a mesa, se quero estar num relacionamento sério ou se fico livre para tomar todas essas decisões so-zi-nha.
E tudo isso sem a ajuda da terapeuta, que ficou no passado.
A verdade é que nunca estive tão confusa. Numa das vezes que me senti assim tão fora do prumo, simplesmente larguei tudo e fui viajar. Descobri muita coisa sobre mim - acabei mudando algumas coisas por conta disso - descobri ser muito mais forte e ao mesmo tempo muito mais frágil do que eu imaginava (me fiz compreender?), me apaixonei (de verdade) pela pessoa errada e na hora errada. Acabei voltando cheia de perguntas sem respostas e muito mais confusa do que estava na sala de embarque. Demorei meses pra fincar os pés no chão novamente e nesse ínterim não aproveitei a oportunidade para virar a mesa.
O mais louco é que, novamente, estou num momento bastante especial da minha vida. Aquele era um excelente momento pessoal. Atualmente vivo um momento profissional muito promissor, mas a vida pessoal se resume a minúsculos cacos espalhados pelo chão.
Ganhei uma equipe para liderar com menos de três anos de empresa sem precisar bajular nenhum chefe, e mesmo sendo assim tão “enfática”, como costumo ouvir por aí. Ainda assim, continuo a me perguntar se estou onde deveria estar, e se, seguindo o status quo, o que se vê em meu futuro é uma mulher feliz e realizada. As lágrimas caem voluntariamente conforme escrevo e isso põe tudo em perspectiva. Sim...definitivamente algo está fora do lugar aqui dentro.
Lembro sempre dum trecho que li naquele livro famoso do Yalom: “The real question is: How much truth can I stand?". Isso me faz pensar: quão fundo eu quero cavar ao me afastar da minha vida em busca do incerto? Será que lá no fim estará a luz, como numa daquelas histórias reais da Marie Claire? Ou minha tia avó vai sentir pena de mim enquanto saboreia um café coado com a vizinha?
Em suma, sei lá eu.
"É o que tem pra hoje
Queria ser uma dessas pessoas que chegam rapidamente até o outro lado da praia, mesmo quando é fofa e de tombo.
Que arquitetam planos de vida.
Que começam assistentes e terminam donos.
Que começam miojo e terminam grande evento culinário um sábado sim, um não.
Que não se demoram na hora de olhar o cardápio, a vitrine, o Guia da Folha, os rapazes da noite.
Fico vendo que fulano foi lá, escreveu o roteiro, quase um ano de trabalho. Depois foi lá, filmou tudinho, mais um ano de trabalho. Na semana da estréia já estava envolvido em outro projeto. Projetos atrás de projetos. Ah: e fulano tem absoluta certeza que nasceu pra isso.
Fico vendo que fulana foi lá: em 2000 pós, 2001 mba, 2002 carro do ano, 2003 casamento, 2004 casa, 2005 filho, 2006 rotavírus. Uma vida na agenda.
Mas enquanto isso, será que fulano sabe dos 456 livros que poderia ler? Das 456 mulheres que poderia comer? Do pôr do sol em Fernando de Noronha? Do prazer surruel que é dormir até tarde sem saber que dia é?
Como fulano pode ter certeza que está no lugar certo, na hora certa, no momento certo, com a pessoa certa, se há zilhões de segundos, dias, ruas, bairros, cidades, países e sonhos nesse mundo?
Passo os dias me perguntando. Aquele povo todo, correndo na paulista, se apertando no metrô, parado no trânsito da Marginal, passando crachás, apertando mãos, escovando os dentes naquelas escovinhas que dobram no meio pra caber na bolsa, almoçando em quilos, sorrindo em falso, respirando ar condicionado, sonhando com a bunda alheia, com o salário alheio, com o final do dia.
Eu não consigo ser uma coisa. Não consigo viver por algo. Tenho esse saco sem fundo onde cabe o mundo. Mas cabe tanto, tanto, que vivo vazia. Porque ainda não aprendi a me preencher.
Porque ainda ando por aí meio maravilhada e irritada, caçando meus pedaços, desejos e inspirações. Até que depois de ver um pouco de tudo e todos, eu saiba finalmente que cara e que forma tem o meu mural de recortes, a minha colcha de retalhos.
Mas no meio do caminho se é muito feliz. E esse texto está assim meio estranho porque to escrevendo ele… quem diria: um pouco bêbada. Agora, por exemplo, to feliz porque bebi saquê e cantei “O amor e o poder” em um karaokê louco. To muito feliz. E talvez um pouco bêbada. Odeio crachás. E eu to feliz porque to ouvindo uma versão de “My way” cantada pelo Gipsy Kings e são quatro e cinco da manhã. E porque estou tendo o maior ataque de riso do mundo simplesmente porque nada faz sentido. E que bom que não faz.
Como diria meu cabeleireiro gay e com pedras no rim: “é o que tem pra hoje, meu bem”. E eu não me culpo pela minha pressa em ficar. E eu não te culpo pela sua pressa em ir. É em tantas pressas contrárias que a gente se esbarra pelo mundo e se diverte um pouco."
Tati Bernardi, minha alma-irrequieta-gêmea