Não esquece: hoje é quinta-feira, dia de Contardo.
É Contardo-feira.
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"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho..." Mário Quintana
uma das vantagens de se viver em sp é andar de carro tarde da noite, quando lá fora faz um frio de doer, e ver as pessoas de casacos sete oitavos andando apressadamente na rua, de trench coat no ponto de ônibus, cachecóis vermelhos numa esquina qualquer.
I just wanna feel real love
Fill the home that I live in
Cause I've got too much love
Running through my veins
Going to waste...
Olhos não se compram
Do cinema lindo & phoda de existir e de como uma mulher pode encantar nos detalhes de nós dois. Quando ela pede pra gente virar os olhos ou fechá-los bem fechados. Só enquanto troca a calcinha, vupt, o barulhinho do elástico, mesmo com toda intimidade desse mundo, às vezes intimidade de anos, vale, vale. Só enquanto troca o sutiã, biquíni, parte de cima, ajeita a parte de baixo, areia do doce balanço da beira dos mares, só enquanto tira uma toalha do banho, primeira viagem, só enquanto está lindamente menstruada e quer guardar-se, embora saiba que atravessamos com amor e gosto todo o seu mar vermelho e ainda mais mares aparecessem a cada mês. “Feche os olhos”, diz. “Vira o rosto”, safadeza-se, diva sob seguras telhas. Só para manter o suspense do cinesmascope debaixo do mesmo teto. “Pronto, pode olhar”. Ai ela ressurge mais linda ainda, cabelinhos molhados, com aqueles cremes todos da Lancôme ou com simples sabonetes Dove ou aqueles de nove em cada dez estrelas de Hollywood, Lux, deluxe, eu morro nesses lapsos de tempo, elipses do desejo, frações de segundo que são eternas de olhos fechados para quem meus olhos na terra, que há de comê-los inté os aros dos óculos e as safenas, mais abriram e justificaram seu brilho castanho mesmo em dias de torpor e existência de pára-brisas lusco-fusco.
Xico Sá
sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa
paulo leminski
time ask no questions, it goes on without you
leaving you behind if you can't stand the pace
the world keeps on spinning, can't stop it, if you tried to
the best part is danger staring you in the face
"Eu adoraria fazer uma história de amor sobre duas pessoas depois que elas finalmente ficassem juntas. A história é sobre quem leva o lixo pra fora". John Cleese.
Uma vez (séculos) li um artigo do Gabeira na Folha, sobre quantos relacionamentos poderiam ser bacanas se as pessoas não tivessem como moldes os casais das novelas. Mais ou menos isso. Na época eu era mais inteligente do que sou agora e não me encaixei - imagina, acreditar em amor de novela. Mas imediatamente repassei para o cinema, onde todos aqueles beijos nos guiam pela vida inteira, tornando o amor uma coisa idealizada, deturpando o amor e, pior, conceituando. Anaïs Nin disse que fomos envenenados pelos contos de fada, que é mais profundo do que dizer por Hollywood, nosso segundo lar. Inconscientemente, mesmo supondo que somos emocionalmente maduros (rárárá), lá está o Richard Gere fazendo de um conversível branco um cavalo para resgatar Julia Roberts. Ou Ewan McGregor perdendo a razão de viver por causa de Nicole Kidman. Está tudo lá, no nosso inconsciente, no meio da poeira. O filme sempre termina antes de Kim Novak dizer a Willian Holden que está farta de tanta pobreza e que ele precisa urgente arranjar um emporego. Ou, na primeira briga séria, Richard Gere jogar na cara da Julia Roberts que encontrou ela na sarjeta. Os filmes sempre terminam antes da vida real. Parece que eu não acredito no amor, quando na verdade talvez eu seja a última romântica, mas ele é muito mais abrangente do que aprendemos. Porque aprendemos vendo. E copiamos. A Sonia Braga, em entrevista a Playboy, disse que aprendeu como se chora e como se beija através do cinema. Faço delas as minhas.
Eu a-mo a Marina...
Celine*, in "Before Sunset"
* mas ela deveria se chamar Marília....